Por que você não deve comprar um computador top de linha?

Por PAULO SEIKISHI HIGA





Todo mundo sabe que a tecnologia avança rapidamente. Os computadores pessoais, por exemplo, ficam obsoletos em pouquíssimo tempo – e não poderia ser diferente com o meu primeiro computador, com quem vivo até hoje, apenas com um upgrade básico de memória e uma troca de um combo LG para um gravador de DVD Sony.

Máquina boa na compra, péssima alguns anos depois
Na época em que foi comprado, em julho de 2004, era uma máquina acima da média, mesmo sendo “de marca”. Cinco anos depois, está ligeiramente abaixo dos computadores vendidos em supermercado. A configuração? Um processador Intel Pentium 4, de 2.8 GHz, com núcleo Northwood, o primeiro com a famosa tecnologia HyperThreading, que fazia milagres, suportando múltiplos programas em execução ao mesmo tempo. Lembro que, na época, o processador – e só o processador – custou mais de R$ 800. Quanto à memória, um pente de 256 MB DDR400 – na época, ainda existiam muitas máquinas com memórias DDR333 ou até mesmo DDR266.

Um PC por dentro

Combo, placa de vídeo offboard, monitor de tubo de tela plana…
O “resto” da coisa: HD IDE Maxtor de 40 GB, operando em incríveis 7200 RPM (quando os HDs SATA ainda eram novidade lá fora); placa mãe ASUS P4S800 sem vídeo onboard (no meio de um mercado cheio de placas PC Chips); gravador de CD com leitor de DVD (chamado de combo); um monitor LG incrível de tela plana 17″ que suportava a resolução 1280×1024 em 60 Hz (considerando que, em 2004, a resolução 800×600 ainda predominava, e os monitores de tubo de 19″ custavam mais de R$ 1000); uma placa de vídeo GeForce MX4000 com memória DDR 128 MB de 128 bits (que não era grande coisa, mas rodava a maioria dos jogos em boa qualidade). Para completar, uma licença original do Windows XP Home Edition e uma impressora jato de tinta. Enfim, um computador completo. Saiu por exorbitantes R$ 4000. Hoje, se eu conseguisse me desfazer dele por mais de R$ 400, seria uma vitória.

Seção de informática do Submarino, em dezembro de 2005.

O maior problema de uma máquina cara é que ela se desvalorizará rapidamente. Com um desempenho um POUCO menor e um preço MUITO menor, eu poderia fazer a mesma coisa. E perderia menos dinheiro, já que hoje poderia vender um computador de R$ 2500 por quase o mesmo preço de um computador de R$ 4000. A diferença de preços da época, de R$ 1500, poderia cair hoje para uns R$ 50.

Upgrades em computadores velhos
Outro problema, claro, são os upgrades. Hoje, um pente de memória DDR custa muito mais do que um pente DDR2 de mesma capacidade. Enquanto que um pente DDR400 de 1 GB custa R$ 100, um pente DDR2 667 de 1 GB custa R$ 60 ou R$ 70. Minha máquina não precisa de tantos upgrades para rodar programas mais pesados, exceto pela RAM, de 512 MB. Eu poderia muito bem desembolsar uns R$ 200 e fazer um upgrade para 2 GB, exceto se não fosse por essa mensagem legalzinha que encontrei essa semana no manual da placa mãe:

Note: PC2100/1600 support up to 3 DIMMs; PC3200/2700 support up to 2 DIMMs; 1 GB PC3200/2700 with 32 DDR chips support to 1 DIMM only.

Traduzindo para o bom português, a placa mãe só aceita 1 pente DDR400 ou DDR333 de 1 GB, o que não daria muito resultado para mim, que rodo Eclipse, Visual Studio, Photoshop, Fireworks e, vez ou outra, o Sony Vegas. Também não faria muito sentido fazer upgrade de 512 MB para 1 GB

512 MB de RAM DDR400 ocupando dois de três slots (sem suporte ao dual channel).

A questão do processador também é complicada. Como a placa mãe só aceita processadores com soquete 478, os upgrades possíveis seriam: os Pentium 4 Northwood de frequência maior ou os caríssimos Pentium 4 Extreme Edition, ambos até 3.4 GHz. Frequência, nesse caso, não faz tanta diferença. Aqui, é mais barato fazer um overclock, estável, para 3.15 GHz.

O disco rígido também poderia ser trocado, mas somente para um IDE. HDs externos estão muito baratos ultimamente – e é por isso que comprei um. Meu Western Digital MyBook, de 500 GB, saiu por pouco menos de R$ 300, na Santa Ifigênia, centro de São Paulo.

A placa de vídeo poderia ser trocada também. Mas, hoje, simplesmente não compensa comprar uma placa de vídeo AGP, tanto pela performance quanto pelo custo. É melhor investir num computador novo, com slot PCI Express. Sem contar que a fonte de alimentação, que não é lá essas coisas, poderia soltar algumas fumacinhas ao ligar o computador com uma placa de vídeo mais potente.

Sim, essa placa com um dissipador mini em cima é uma placa de vídeo.

Invista em uma máquina com bom desempenho, mas sem exagerar
O fato é que não compensa comprar uma máquina com tudo “do bom e do melhor” esperando que ela vá durar muito tempo. O mundo gira. A fila anda. A tecnologia avança. Hoje, exceto em raríssimos casos, como pessoas que trabalham com a máquina e softwares profissionais avançados, é melhor comprar uma máquina boa, mas não cara, com uma boa base para upgrades. Isso geralmente joga de lado os computadores montados e os vendidos no Mercado Livre, que suportam, na pior da hipóteses, apenas até 4 GB de memória DDR2, o que já é comum hoje em dia, sem contar os top de linha com processador Intel Core i7 (para mim, um fracasso total da Intel), de soquete LGA1366, que provavelmente será abandonado cedo – afinal, a diferença de performance deles para os Intel Core i5 (que usam o novo soquete LGA1156), ou até mesmo os Intel Core 2 Quad (que usam o famoso LGA775, talvez um dos soquetes da Intel que mais durou, enquanto a AMD trocava de soquete como trocava de roupa) não é tão grande, não compensando o custo. Pelo menos por enquanto. E esse post ficará arquivado aqui, para que daqui cinco anos, eu o leia novamente, de preferência com uma máquina nova.

Fonte: Paulo Higa




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