Como montar um computador com excelente custo-benefício

Por PAULO SEIKISHI HIGA





É muito comum que, nos fóruns de discussão sobre informática, diversos usuários peçam opiniões a respeito de uma configuração de computador. No fórum do Guia do PC, a sala de Componentes e sugestões é uma das mais movimentadas. Escrever um artigo falando sobre o assunto é complicado porque a microinformática avança muito rapidamente. O que é top de linha hoje, com certeza já estará obsoleto daqui alguns meses.


Pentium 4 Extreme Edition 3.73 GHz. Na época, milhares de reais. Hoje, não vale mais que R$ 200.

Exemplos de perguntas comuns são: Essa placa de vídeo é boa? Quanta memória preciso para rodar aquele programa? Compensa investir nessa placa mãe? Compro um HD ou SSD? O que posso comprar com R$ 2500? Devo comprar um computador montado ou montar por conta própria?

Baseado nessas perguntas, foi escrito este artigo compartilhando um pouco sobre o assunto, além de falar sobre ciladas que alguns leigos na informática infelizmente acabam caindo na hora da compra, gastando dinheiro desnecessariamente e montando uma máquina problemática. Vamos começar!

Montar computador ou comprar montado?

Com os incentivos do governo, comprar um computador ficou muito mais fácil, especialmente para as famílias de baixa renda. Assim, surge a dúvida: comprar um computador montado ou montar um? Exceto se você estiver comprando dezenas de computadores para uma empresa, minha recomendação sempre é comprar as peças separadamente e, assim, montar uma máquina específica para suas necessidades. Motivo? Simples: você não gasta dinheiro com hardware desnecessário, compra peças de melhor qualidade e acaba tendo um custo-benefício muito melhor.

GeForce 9400GT com 1 GB de memória DDR2 e chip gráfico lento para jogos mais exigentes. Mesmo assim, uma das campeãs em micros "gamer" montados.

No geral, as montadoras de computadores do país, exceto uma pequena minoria, basicamente vendem seus PCs em lojas de geladeira (o que acaba deixando você numa fria). Em regra, esses equipamentos têm as seguintes características: processador bom (característica bastante destacada nas propagandas), placa de vídeo onboard (ou offboard lenta), grande quantidade de RAM (geralmente DDR2 533 ou 667 MHz, pouco para os padrões atuais), disco rígido enorme (mas de 5400 RPM), fonte genérica de baixa eficiência e qualidade duvidosa, placa mãe com baixa capacidade de expansão e gabinete mal ventilado. De nada adianta ter um processador bom se o resto dos componentes limita a performance da máquina. Sem contar que, com fontes e gabinetes ruins, é bem provável que o computador queime em pouco tempo.

Você vai usar o computador para quê?

Existem usuários e usuários. Para cada tipo de consumidor, existe um certo “reforço” em determinadas peças do computador, exceto se for para uso “normal” (navegar na web, ouvir músicas e bater papo). Nesse caso, não há nenhum componente que devemos ter atenção extra na hora da compra.

Mas, se você gosta de jogar, invista em uma boa placa de vídeo, junto com um bom processador e memórias rápidas, para evitar o gargalo. É para programação e desenvolvimento? Um processador rápido e bastante memória são necessários. Pretende editar vídeos em alta definição? Invista em alguns HDs de grande capacidade junto com um bom processador e placa de vídeo, para não perder muito tempo no momento da renderização.

Como escolher o processador?

A maioria dos processadores atuais fornecem bom desempenho. AMD e Intel são as duas principais marcas de processadores para desktops. Geralmente, os processadores da AMD possuem custo menor e desempenho superior a um processador Intel de mesmo preço.

A AMD é bastante forte nos computadores low e mid-end e, quase sempre, vale a pena levar um AMD a um Intel. A Intel, por sua vez, possui processadores mais fortes para computadores high-end. Essa “força”, no entanto, tem custo. Como a AMD atualmente não possui produtos para competir com os processadores mais poderosos da líder, alguns produtos são excessivamente caros, como o Intel Core i7, fazendo com que esses produtos valham a pena somente para quem precisa do máximo desempenho possível – e pode pagar por isso.


Ao escolher um processador, leve em conta as seguintes características:


  • Clock: não é um fator determinante, mas, ao comparar dois processadores do mesmo modelo, prefira o que possui maior frequência. Lembre-se: nunca compare um Pentium 4 de 3.8 GHz com um Core 2 Duo 2.2 GHz. O Pentium 4 é claramente inferior, por possuir tecnologia mais antiga.
  • Quantidade de cache: o cache do processador serve para armazenar alguns dados temporários muito utilizados e é muito mais rápido que a memória RAM comum. Quanto mais, melhor.
  • Núcleos: hoje, são raros os processadores com núcleo único. Quanto mais núcleos, melhor será a performance em aplicativos que se beneficiam da tecnologia. Mas atenção: muitos programas não são multithreading, sendo assim, eles acabarão utilizando somente um núcleo do processador, assim, pode compensar levar um dual-core top de linha a um quad-core de entrada.

Os processadores são bastante complexos, de modo que as características acima apenas dão uma pequena ideia da performance deles. O melhor mesmo é consultar benchmarks na Internet, que testam o desempenho com programas específicos. Um site que consulto frequentemente para comparar processadores é o CPU Benchmark.

Como escolher a placa mãe?

A placa mãe é, talvez, a parte mais importante de um computador. Afinal, se ela for de má qualidade, causará instabilidade em todo o conjunto, principalmente considerando que as placas mãe atuais possuem rede, som e a maioria possui também vídeo onboard. A ECS possui placas bastante atrativas para a plataforma AMD, apesar de possuir BIOS um pouco problemáticas. No caso da Intel, marcas confiáveis são ASUS e GIGABYTE. É claro que alguns produtos dessas marcas não são tão bons, mas são, no mínimo, confiáveis. Quanto às especificações:



  • Possibilidade de expansão: evite comprar placas que limitem muito a quantidade de memória. 4 GB de RAM, hoje em dia, não é mais “coisa de rico” e, em 2011, micros com 6 e 8 GB de RAM provavelmente já serão comuns (anote o que estou dizendo!).
  • Tecnologias: memórias DDR3 já estão relativamente baratas, portanto, evite comprar uma placa mãe que só suporte memórias DDR2. Se puder gastar mais, invista em uma placa que já possua suporte ao USB 3.0 e SATA 3 (com velocidade nominal de 6 Gbps). A tendência é que, com o tempo, mais e mais dispositivos sejam compatíveis com as novas tecnologias, portanto, é bom se atualizar.
  • Chipset: o chipset está diretamente relacionado com a performance e os recursos da placa mãe. Placas com chipsets antigos ou limitados devem ser evitados. Geralmente, chipsets da NVIDIA, AMD e algumas da Intel são boas escolhas.
  • Qualidade de construção: toda placa mãe boa vem com capacitores sólidos, que possuem vida útil maior que a dos capacitores eletrolíticos e não possuem aqueles problemas chatos de vazamento. Algumas placas também possuem dissipadores sobre chipsets de alto desempenho.

Como escolher a memória RAM?

No caso da RAM, considere dois fatores: quantidade e qualidade. Quanto mais memória, mais programas poderá rodar ao mesmo tempo e melhor será o desempenho em sistemas operacionais de 64 bits. Quanto mais rápida é a memória, mais performance você terá em aplicativos mais pesados. Boas marcas de memórias de alto desempenho são G.Skill, OCZ e Corsair. Leve em conta:



  • Frequência: quanto mais alta, maior será a velocidade de transferência da memória. Em memórias DDR2, considere comprar memórias de, no mínimo, 800 MHz. No caso das memórias DDR3, o bom é investir em memórias com frequência de 1333 MHz ou mais.
  • Latência: quanto menor, mais rápida a memória será. Geralmente, memórias de baixa latência possuem dissipadores para compensar a liberação de calor. Hoje, memórias DDR3 possuem latências maiores que as DDR2 – isso é normal.
  • Capacidade: 2 GB é o mínimo aceitável para os dias de hoje. Com 4 GB, é possível rodar máquinas virtuais e programas que consomem bastante memória – e a tendência é que os programas consumam cada vez mais RAM. Se for executar jogos pesados em alta resolução (1920×1080 ou maior), invista em 6 ou 8 GB.

Como escolher a fonte?

A fonte é a responsável por fornecer a energia necessária para que seu PC funcione. Uma fonte de má qualidade pode causar travamentos e reinícios e, na pior dos casos, queimar os componentes da máquina, além de consumir mais energia do que o normal. Um dos principais erros na hora de escolher a fonte é comprá-la pela potência escrita na caixa. Lembre-se: não confie em especificações de caixas, especialmente na área de energia (fonte, estabilizador, filtro de linha, no-break…). Fontes abaixo de R$ 150 muito provavelmente são de baixa qualidade. Corsair e OCZ possuem excelentes fontes de alimentação. Outros fatores que pesam na hora da compra:


  • Eficiência: enquanto você recebe corrente alternada na tomada, os componentes do PC precisam de corrente contínua. Fontes com baixa eficiência precisam de mais energia para abastecer a sua máquina. Uma fonte genérica, com 65% de eficiência, utiliza quase 400W de potência para um equipamento básico, de 250W. Prefira as que possuem 80% ou mais, caso contrário, a economia na fonte de alimentação será desperdiçada na conta de luz (e, talvez, na compra de componentes danificados por oscilações no fornecimento de energia).
  • Corrente: de nada adianta a fonte aguentar 500W de potência se as linhas mais importantes não fornecem corrente adequada. Placas de vídeo são bastante gulosas e precisam de bastante energia na linha de 12V para funcionar. Fontes com projetos antigos fornecem muita corrente em 3,3V e 5V, mas pouca corrente na linha de 12V. Ou seja, é muito provável que uma fonte antiga de 500W não consiga alimentar uma máquina que uma fonte atual, de 400W, consegue.
  • Potência: compre fontes com potência adequada. Máquinas comuns geralmente precisam de 250W ou 300W. Computadores com duas, três ou quatro (!) placas de vídeo podem chegar a mais de 1000 W. Um bom site para calcular a potência necessária é o eXtreme Power Supply Calculator.

Como escolher o disco rígido ou SSD?

No disco rígido estarão armazenados seus arquivos pessoais e arquivos do sistema operacional. Quanto mais espaço disponível você tem, mais gastará. Espaço nunca é demais. Atualmente, existem muitos HDs ditos “ecológicos”. Esses HDs possuem rotação menor (5400 RPM, ao invés dos tradicionais 7200 RPM). Como os HDs evoluíram, a performance não é tão afetada, mas, de qualquer forma, evite, porque eles tendem a demorar mais para acessar os arquivos. Se possível, compre um HD com suporte ao SATA 3. Características dos HDs:


  • Capacidade: para a maioria dos usuários, 500 GB é um bom tamanho. Geralmente, os HDs de 500 GB possuem o menor custo por GB, fazendo deles uma ótima opção. Ao invés de comprar um HD de 1 TB, você também pode utilizar dois HDs de 500 GB operando em RAID 0, o que melhora as taxas de transferência, com uma pequena perda de confiabilidade – afinal, se um deles falhar, todos os dados serão perdidos, já que cada metade de arquivo estará gravada em um HD.
  • Velocidade: consulte benchmarks na internet para saber se o HD é rápido ou não. Leve em conta, além da velocidade de leitura e escrita, o tempo de acesso. Se o tempo de acesso for baixo, os programas e o próprio sistema operacional demorarão menos tempo para iniciar. O próprio Google Images é uma fonte de pesquisa, com muitos comparativos com o HD Tune. Veja um exemplo com o Samsung SpinPoint F3.
  • Confiabilidade: pesquise se o disco rígido é muito problemático. Um HD que deve ser evitado é o Seagate Barracuda 7200.11, com problema de firmware, que fazia com que usuários precisassem substituí-lo. Os novos Seagate Barracuda 7200.12 não sofrem do mesmo problema. A Samsung possui poucos históricos de séries problemáticas.
Se você possui mais dinheiro para gastar, uma boa opção para aumentar o desempenho é o SSD (sigla para Solid State Drive). Os SSDs não utilizam agulhas como os HD magnéticos, por isso, são extremamente mais rápidos que os HDs atuais. Os tempos de acesso giram em torno de 0,1 e 0,3 ms, enquanto que, num HD, esse valor gira em torno de 13 ou 15 ms – acredite, isso faz uma enorme diferença.

O custo por GB de um SSD também é maior, valendo a pena deixar apenas os arquivos de aplicativos e do sistema operacional no SSD, utilizando um HD comum para backups e arquivos pessoais.

Como escolher a placa de vídeo?

Atualmente, as melhores placas de vídeo onboard já estão ótimas para tarefas básicas e até uma jogatina casual. A minha ATI Radeon HD 3300 é um exemplo disso, daí a importância de comprar uma placa mãe de boa qualidade. Se você quer aproveitar o máximo dos games ou qualquer outro aplicativo gráfico, invista numa placa de vídeo boa. Nunca escolha uma placa de vídeo somente pela quantidade de memória: esse é, talvez, o maior erro que leigos cometem. Além da quantidade de memória, verifique também:


  • Velocidade da memória: não vale a pena ter muita memória de vídeo se a memória em questão é lenta. Placas mais avançadas utilizam memórias GDDR4 e GDDR5. Memórias DDR2 só são utilizadas em placas de vídeo de entrada. Compare, também, a frequência da memória da placa.
  • Chip gráfico: mais importante que a memória é o processador gráfico. É ele quem processa as texturas, as sombras e todos os recursos que os jogos utilizam para dar um ar mais realístico no seu monitor.
  • Benchmarks: esse é o ponto mais importante de todos os itens aqui. As placas de vídeo são exaustivamente testadas por sites especializados na internet. Com programas específicos, o desempenho das placas são comparadas entre si. Assim, dá para ter uma noção real da performance da placa de vídeo. Da mesma empresa que criou o CPU Benchmark, existe o Video Card Benchmark – dê uma conferida.

Concluindo…

Após mais de 2000 palavras escritas, acredito que consegui passar alguns conceitos básicos que devem ser levados em conta na hora de aposentar seu micro antigo ou presentear alguém com um computador novo. É importante ressaltar que as “regras” escritas aqui não são absolutas, elas podem (e devem) mudar com o tempo.

Se você está prestes a comprar um novo brinquedinho, espero que estas dicas tenham ajudado e melhorado suas escolhas. Caso possua contas em fóruns de discussão sobre informática, talvez queira ajudar, divulgando este artigo em sua assinatura – qualquer divulgação é bem-vinda. Até a próxima!

Fonte: Paulo Higa




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